Os americanos estão gastando quantias recordes em cassinos e companhias aéreas

Relatórios recentes da Amazon e da Apple sugerem que a festa de gastos dos americanos pode acabar em breve.

Os americanos ainda estão gastando muito, mas os especialistas concordam que isto está prestes a acabar. A questão é saber quando.

Na terça-feira, a operadora de cassinos Caesars, que possui oito resorts de cassino em Las Vegas. Apontou ainda que os ganhos de outubro foram o “mês mais forte da história de Las Vegas” para a empresa.

Embora uma recessão aparenta estar muito próxima, o Caesars ainda não está vendo nenhum sinal dela vindo pela frente.

“Não posso apontar nada em nossos negócios dentro ou fora de Vegas que mostre qualquer desaceleração de compra do consumidor”, disse o CEO Tom Reeg.

E não é apenas na faixa de Las Vegas que os consumidores ainda estão gastando.

Viagens com demanda recorde

Em outubro, no terceiro semestre, tanto a American quanto a Southwest Airlines registraram recordes de receitas operacionais para suas respectivas empresas.

“Após a demanda recorde de viagens de lazer no verão”, os consumidores continuam a atingir o pico de consumo em setembro”, disse Bob Jordan .

No setor de restaurantes, McDonald’s e Chipotle divulgaram lucros no mês passado que superaram as expectativas. Disseram também que viram uma resistência mínima dos clientes aos preços mais altos dos produtos.

Na terça-feira, o Airbnb registrou sua maior receita trimestral de quase US$ 3 bilhões, impulsionada por mais reservas e estadias mais longas. E a Cedar Fair, empresa controladora do parque temático Cedar Point, em Ohio, também registrou um recorde de receita trimestral nesta semana.

No geral, os gastos do consumidor nos EUA subiram 0,6% em setembro, acima dos 0,4% projetados, segundo o Departamento de Comércio.

Americanos não estão preocupados com a inflação

“Os americanos podem dizer que estão preocupados com a inflação, mas ainda estão fazendo compras, o que mantém a economia crescendo por mais um trimestre”, disse à Reuters Christopher Rupkey, economista-chefe da FWDBONDS .

Este crescimento está entre as razões pelas quais o Fed aumentou as taxas de juros novamente na quarta-feira.

O acréscimo das taxas anteriores ainda precisam acalmar uma economia que ainda mantém a inflação alta e uma perspectiva de mais de 10 milhões de vagas de emprego.

“Se você aumentar as taxas e desacelerar a economia para combater a inflação, a expectativa é que você tenha uma desaceleração nos gastos do consumidor. Isso ainda não aconteceu”, disse Brian Moynihan o CEO do Bank of America, na semana passada.

Embora os grandes gastos e um aumento significativo nas vagas de empregos, economistas e CEOs concordam que uma desaceleração está chegando, com uma previsão por parte dos analistas que esperam  a chegada de uma recessão nos próximos 12 meses.

Conforme os americanos gastam suas economias e começam a depender mais das dívidas do cartão de crédito, as empresas começam a sinalizar que os consumidores podem chegar a um ponto de ruptura em breve. Se os americanos cederão antes do final do ano ou persistirão durante a temporada de final das festas, ainda não se sabe.

“Esse gasto é impulsionado por uma redução insustentável na taxa de poupança e dependência excessiva do crédito”, disse o economista sênior da Wells Fargo. Tim Quinlan, ao USA Today, ainda sugeriu que o tempo dos Estados Unidos está acabando.

Gastos podem diminuir

As corporações esperam que esta época de grandes gastos para os americanos termine nos próximos meses.

Apesar de relatar uma receita recorde no terceiro trimestre, os executivos da Apple disseram que esperam que as vendas de Mac “diminuam substancialmente” no quarto trimestre em comparação com o ano anterior e estão projetando uma desaceleração geral no crescimento das vendas.

A Amazon também não espera ficar imune. O preço de suas ações caíram 11% na última sexta-feira, quando a empresa previu o crescimento mais lento das vendas de fim de ano na história da empresa.

Essa desaceleração pode significar menos presentes nesta temporada de festas. Uma pesquisa da Deloitte com quase 5.000 americanos descobriu que os americanos planejam comprar 44% menos presentes – uma média de nove contra 16 no ano passado.

Mas também é possível que haja uma última aceleração nos gastos.

Uma pesquisa recente da Gallup com mais de 1.000 adultos dos EUA descobriu que os consumidores esperam gastar uma média de US$ 932 em presentes nos próximos meses. A expectativa está acima dos US$ 837 em 2021 e perto dos US$ 942 registrados em 2019, o mais alto índice da história da pesquisa.

Mas, mesmo que os americanos fiquem abalados com a inflação mais alta, os especialistas esperam uma desaceleração nos gastos no Ano Novo.

“Os gastos devem desacelerar significativamente com a ressaca do feriado à medida que as economias continuam a diminuir”, disse o economista da RSM, Tuan Nguyen , ao USA Today.

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