Opep+ se prepara para cortes profundos na oferta e entra em conflito com EUA

A Opep+ parece pronta para cortes profundos em suas metas de produção de petróleo quando se cumprir nesta quarta-feira, reduzindo a oferta em um mercado já apertado, apesar da pressão dos Estados Unidos e outros para bombear mais.

O potencial corte da Opep+ pode estimular uma recuperação nos preços do petróleo, que caíram para cerca de US$ 90 de US$ 120 há três meses devido a temores de uma recessão econômica global, aumento das taxas de juros dos EUA e um dólar mais forte.

A Opep+, que inclui Arábia Saudita e Rússia, está trabalhando em cortes de 1 a 2 milhões de barris por dia, disseram fontes à Reuters, com várias fontes dizendo que os cortes podem chegar a 2 milhões.

Os Estados Unidos estão pressionando a Opep a não prosseguir com os cortes argumentando que os fundamentos não os apoiam, disse uma fonte familiarizada com o assunto.

Fontes disseram que ainda não está claro se os cortes podem incluir reduções voluntárias adicionais por membros como a Arábia Saudita ou se os cortes podem incluir a subprodução existente pelo grupo.

A Opep+ caiu cerca de 3,6 milhões de bpd abaixo de sua meta de produção em agosto.

REAÇÃO DE WASHINGTON

“Os preços mais altos do petróleo, se impulsionados por cortes de produção consideráveis,

provavelmente irritaria o governo Biden antes das eleições de meio de mandato nos EUA”, disseram analistas do Citi em nota.

“Pode haver mais reações políticas dos EUA, incluindo lançamentos adicionais de ações estratégicas, juntamente com alguns curingas, incluindo a promoção de um projeto de lei da NOPEC”, disse o Citi, referindo-se a um projeto de lei antitruste dos EUA contra a Opep.

O JP Morgan também disse esperar que Washington implemente contramedidas liberando mais estoques de petróleo.

A Arábia Saudita e outros membros da Opep + – que agrupa a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e outros produtores, incluindo a Rússia – disseram que procuram evitar a volatilidade em vez de atingir um preço específico do petróleo.

O petróleo Brent de referência foi negociado abaixo de US$ 92 por barril na quarta-feira, depois de subir na terça-feira.

O Ocidente acusou a Rússia de armar energia, criando uma crise na Europa que pode desencadear o racionamento de gás e energia neste inverno.

Moscou acusa o Ocidente de armar o dólar e sistemas financeiros como o SWIFT em retaliação ao envio de tropas russas para a Ucrânia em fevereiro. O Ocidente acusa Moscou de invadir a Ucrânia, enquanto a Rússia chama isso de operação militar especial.

Parte da razão pela qual Washington quer preços mais baixos do petróleo é privar Moscou da receita do petróleo, enquanto a Arábia Saudita não condenou as ações de Moscou.

As relações estão tensas entre o reino e o governo de Biden, que viajou para Riad este ano, mas não conseguiu garantir nenhum compromisso firme de cooperação em energia.

“A decisão é técnica, não política”, disse o ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail al-Mazroui, a repórteres.

“Não a usaremos como uma organização política”, disse ele, acrescentando que as preocupações com uma recessão global seriam um dos principais tópicos.

O vice-primeiro-ministro russo Alexander Novak, que foi colocado na lista de sanções especiais dos Estados Unidos na semana passada, também chegou a Viena. Ele não está sob sanções da UE.

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