Opep+ considera grande corte de produção, provocando reação dos EUA

Grupo liderado por Arábia Saudita e Rússia se reúne em Viena Autoridades dos EUA estão fazendo apelos para evitar o corte planejado

A Opep+ está considerando seu maior corte de produção desde 2020, um movimento que Washington está tentando impedir com esforços diplomáticos furiosos.

O grupo deve discutir um corte em seus limites de produção de até 2 milhões de barris por dia, usando as metas atuais como ponto de partida. Embora seja uma redução significativa, o impacto real na oferta global seria menor porque vários países já estão bombeando abaixo de suas cotas.

Autoridades dos EUA estão fazendo ligações para colegas no Golfo tentando resistir à medida, de acordo com pessoas familiarizadas com a situação. 

A Opep+ também está considerando cortes menores de 1 milhão a 1,5 milhão de barris por dia, disseram os delegados. Mesmo um corte nessa escala seria um golpe para uma economia global que já está sofrendo choques inflacionários históricos. Washington está analisando possíveis respostas, enquanto o presidente Joe Biden tenta domar os preços na bomba antes das eleições de meio de mandato em novembro.

“É difícil exagerar o quanto o governo Biden está ansioso com um potencial ressurgimento dos preços do petróleo”, disse Bob McNally, fundador da Rapidan Energy, em Viena. “Um grande corte da Opep+ antagonizaria a Casa Branca, embora as autoridades possam esperar para ver como os preços respondem depois antes de acionar as respostas políticas”.

É um golpe especial para Biden após sua visita à Arábia Saudita no início deste ano em busca de um novo acordo de petróleo. E ressalta as tensões no relacionamento EUA-Saudita, contra a força duradoura dos laços do reino com Moscou, apesar da guerra. O vice-primeiro-ministro da Rússia, Alexander Novak, deve participar da reunião na Áustria, aumentando a angústia diplomática.

Em Viena, havia poucos sinais de que a pressão dos EUA estava funcionando. O ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazrouei, insistiu que a decisão era “técnica”.

“É muito importante que permaneça como uma decisão técnica e não política”, disse ele a repórteres. “É por isso que é importante olhar para o lado técnico da equação e analisar quaisquer preocupações em relação à economia e ao status da economia.”

Resposta dos EUA

Funcionários da Casa Branca já pediram ao Departamento de Energia dos EUA para analisar se a proibição das exportações de gasolina, diesel e outros produtos refinados de petróleo reduziria os preços, informou a Bloomberg na terça-feira. É uma ideia controversa, mas que está ganhando força em alguns cantos do governo Biden. 

Enquanto os ministros da Opep+ se reúnem em Viena, líderes europeus e norte-americanos estão trabalhando para conter as receitas que Moscou recebe do petróleo para tentar enfraquecer a máquina de guerra do presidente Vladimir Putin. A UE aprovou um novo pacote de sanções que reduzirá severamente a capacidade da Rússia de vender petróleo, enquanto os EUA estão trabalhando com aliados para implementar um teto de preço do petróleo russo.

Os futuros do petróleo, que saltaram na terça-feira à medida que a escala dos cortes discutidos emergiu, caíram 0,5% na quarta-feira.

Os preços do petróleo caíram de forma constante desde junho devido aos temores sobre a economia.

Os EUA também podem considerar recorrer novamente ao uso de sua Reserva Estratégica de Petróleo para controlar os preços, segundo alguns analistas. 

“A mudança da Opep+ pode desencadear contramedidas dos EUA, incluindo lançamentos adicionais da Reserva Estratégica de Petróleo”, disseram analistas do JP Morgan em nota.

Um corte maciço refletiria as preocupações do grupo com a desaceleração global e seu impacto na demanda. Mas, na realidade, o impacto no mercado seria menor do que o número da manchete. Isso porque vários membros já estão bombeando muito abaixo de suas cotas oficiais, o que significa que poderiam estar automaticamente em conformidade com seu novo limite sem ter que reduzir a produção. Ainda assim, seria a maior redução do cartel desde os cortes profundos acordados no início da pandemia de Covid-19 em 2020.

“Esta é uma reunião importante”, disse o ministro da Energia dos Emirados Árabes Unidos, Suhail Al Mazrouei, a repórteres em Viena na quarta-feira.

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